Salamanca – Vasco Gato

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           Da pedra que o fogo
contamina, descascando-se pelos séculos
como a pele inepta dos vivos,
fez-se uma cidade cujo palpitar
impele ao uso das noites.
De rapina são
todas as perdas que nos estanquem de
aglutinar as paisagens
e convocar um nome para dizer
o que nunca foi dito:
que esta
febre de terramoto é para
nos peneirar
do estupor mineral.
Se é uma vida povoada de pedras,
que o seja das rubras de ânsia:
é que vê-se mais,
soberanamente mais,
dos passos que ousam gastar-se,
das súbitas varandas do fogo.

Vasco Gato, A fábrica (Lingua Morta, 2013)

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