Todos sonhamos em morrer pelo cano – Cristian Alcaraz

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Deixei morrer
toda a descendência pelo cano
Não me arrependo
desta palma da mão.

Sobre a minha cama
recito discursos de 1921
(Ninguém me culpa da extinção das espécies)

Sobre a minha cama
fica a radiografia da hostilidade.

Recordo a minha vida
e desta forma fico:
com a gratidão de todos esses filhos não-natos
que não  cortarão as suas veias,
que seguirão sonhando
eternamente.

Cristian Alcaraz, La orientación de las hormigas (Renacimiento, 2013)
Tradução: J.G
Revisão: H.M.M
Foto: Vítor Dias (Dias de fotografia)

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