“Três moças cantavam d’amor” – Catarina Nunes de Almeida

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Três moças cantavam d’amor
os braços debulhados dispostos no lençol.

A casa era um corpo
invertebrado.
Um bicho sem concha
à sombra das coxas das moças
que d’amor cantavam

e sobrevoavam o linho
de pernas para o mar
uma de dentro da outra para dentro da outra

e trocavam sapatos
e teciam véus e vulvas
como quem ensaia a perfeição de um delito.

Catarina Nunes de Almeida, Bailias (Deriva, 2010)

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