“Elas vinham todas…” – Catarina Nunes de Almeida

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Elas vinham todas tão juntas que já nem pareciam
gente à toa todas tão juntas que mais pareciam
uma imensa solidão.
Esperavam pelo sino da tarde
como quem espera lugar
no céu de alguma boca
e resvalavam pela ladeira
todas tão desenhadas
tão cheias de si e de lençóis
que os passos mais pareciam
palavras de salvação.
Era dali que corria do fundo do teu nome corria
o grande aqueduto das éguas livres.
E tu muito bem plantado à sombra dos arcos
no teu trinfo
como uma tarde atingida por lilases
o vaso queimado pela mudança da estrela
eras tão lentamente
tão deliciosamente a uva humana
a ânfora completa
sentada à direita do pão.

Catarina Nunes de Almeida, Bailias (Deriva, 2010)

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