A chuva – Manuel Pujante


Lá fora não chove, nem a cidade é
uma estampa boémia.
Prefiro assim, a chuva incomoda-me
como todas as coisas que te atravessam
e te arrefecem.
Às vezes ela chove,
mas a sua chuva é diferente
e dói, como de coroas
de espinhos nos seus olhos,
como um frio nos dedos, como
frio no frio.
Hoje
a sua chuva é um “nós” na neve,
que a neve cobre lentamente
e amansa.
Hoje sua chuva
é lenta, demasiado, cai com ritmo
funerário, despedaçada – como luz
pelo frio, como estilhaços
da luz, como uma morte lenta.

Manuel Pujante, Los afluentes del frío (ad mínimum, 2014)
Tradução/Revisão: J.G /H.M.M
Foto: Vítor Dias

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