iii (PT) – Emily Roberts

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Tive, em tempos, uma amiga que roubava. Anéis nos chineses e porcaria nas feiras, borrachas, lápis e porta chaves. Eu pensava: está mal. Isso é roubar. Mas era minha amiga, tinha-lhe carinho.

Um dia ela roubou um anel para mim. Isso era amar: aprender o valor dos objetos roubados.

Então coloquei-o e jurei nunca mais o tirar.

O anel perdeu a cor e o anel perdeu a minha amiga.

Como denunciar então / a perda que nunca / foi tua.

Emily Roberts, Animal de huida (Ediciones Oblicuas, 2013)
Trad: J.G
Foto: Vítor Dias

 

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