O eclipse –Ricardo Marque

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Ela não sabe nada sobre o mundo,
prefere senti-lo, enquanto todos à
sua volta vivem contra o eclipse da
moeda. A bolsa é apenas uma
figura abstrata, espaço entre o
animal e o calculado: e ela tenta
perceber as oscilações entre os
opostos – perder ou ganhar contra
uma cidade, contra uma alma – são
verbos sempre nas bocas efêmeras
de quem os manipula: quem quer
amar não faz perguntas, deve
apostar sem voltar atrás, sem
pensar.

Há que aprender então com o
homem que perdeu tudo e saiu a
desenhar flores num papel: no fim
ninguém comparece ao encontro
da morte, da paixão, porque as
coisas continuam apesar de nós, do
nosso eclipse nelas.

Ricardo Marques, Servidões (nãoEdições, 2013)
Foto: Vitor Dias

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