Do maniqueísmo – Ricardo Marques

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É assim, tem de ser, porque a
obrigação a nada obriga
realmente: fecha os olhos e
imagina aquilo que eles possam
estar a fazer – enquanto isso o
vento tem de passar, gelado ou
quente, porque os dias são mesmo
assim, maniqueístas, como as
mãos que os fazem. Imagina então
o deserto, um homem dormindo de
dia ao som do tempo, tentando
deter-se em pessoas que nunca
conhecerá de verdade, enquanto
caminha de noite suando o degelo
com que chora: Por certo nevará
em cima das suas crenças, mas o
seu coração irá derreter cada floco
à flor da pele: bastará
abrir a boca e pensar: eu sou
isto, eu estou aqui. Mesmo que
acabe a vida agora.

Ricardo Marques, Servidões (nãoEdições, 2013)
Foto: Vitor Dias

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