(A) Relíquia – Rache G. Hofmannsthal

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Atravessa-me um estado surdo, soltando no corpo anónimo
Um jazir de palidez cardíaca, que soletra o segredo de ter sido criança.
E da eternidade provisória,
Bifurcam-se infinitos torvelinhos de tecido neutro, falados em sílaba,
Pelo descontínuo pulsar do corredor.

Nas mãos-acaso, – um rosto-retrato decresce a sombra
Do que fui.

Ali,
Chora uma arritmia interna, do que não consigo trazer à voz da boca,
Do que não consigo transgredir sem altares opcionais;
Vi um ventre materno a ir-se embora, repentino, fechando-se morte com passos de mãe.

Irreconheci-me num espelho ímpar, num momento já ido,
Suspensa a religiosidade, de um corpo frio.

Inédito
Foto: Vítor Dias

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